O Sacerdócio de Todos os Remidos
Texto Base: Hebreus, capítulos de 4 a 8 -Quando falamos em adoração coletiva como corpo, logo imaginamos um grupo de louvor que “conduz a igreja à adoração”, e freqüentemente associamos tais grupos a uma atuação levítica ou sacerdotal. Não há como negar que os que exercem tais funções (ministros de adoração, músicos, cantores, operadores de som, etc) são sim sacerdotes. Mas isto não é privilégio somente de tais.
A palavra de Deus nos ensina que todos os que se entregaram a Cristo foram imersos no corpo, e tornaram-se sacerdotes. Isto nos coloca em condição de igualdade com qualquer irmão ou irmã da congregação que tenha dons e talentos diferentes dos nossos.
Não precisamos mais de sacrifícios ou oferendas para entrar na presença de Deus. Jesus tornou-se sumo sacerdote, inaugurando a era da graça. Todos os cristãos tem acesso ao Pai, pois todos os cristãos são sacerdotes. Logo, conclui-se que não é papel do ministro de louvor o de “levar a congregação ao Pai”, como muitas vezes é dito, e sim sermos participantes e facilitadores no processo de irmos juntos à sua presença e buscarmos juntos, como igreja, a sua face.
Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos. Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de provação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade. (Hb 4:14-16)
O trono da graça está disponível a todos, não apenas aos ministros, pastores e líderes. Muitas vezes como ministros de louvor, temos a tendência de atuar como “mediadores” e esperar da congregação uma “resposta” ou “evidências” de que está tudo “fluindo”. Alguns de nós podemos até nos sentir em posição de superioridade. Alguns de nós carregamos fardos que não são nossos quando por algum motivo a congregação “não está alegre” ou o louvor “não flui”. É preciso que entendamos que cada um de nós, esteja ou não sobre uma plataforma ou púlpito, é um sacerdote, sendo também inteiramente responsável pela adoração que está prestando ao Senhor.
Durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão. Embora sendo filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte de salvação eterna para todos os que lhe obedecem, sendo designado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. (Hb 5:7-10)
Jesus tornou-se sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Isto significa que Jesus foi feito sacerdote não por direito (pois não era da tribo de Levi), mas por designação do Senhor. Vemos também aqui que Jesus foi obediente ao seu chamado. Ele, como nosso Mestre, nos deixou o exemplo de submissão à vontade do Senhor.
Em Gênesis 14:17-20 podemos ler o relato de Abraão e Melquisedeque (que foi sacerdote do Senhor antes da Lei de Moisés ser dada). O autor de Hebreus vem nos explicar a autoridade sacerdotal de Jesus e a nossa posição diante deste novo pacto.
Se fosse possível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico (...), por que haveria ainda a necessidade de se levantar outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e não segundo a ordem de Arão? Certo é que, quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei. Aquele de quem se dizem estas coisas pertencia a outra tribo da qual ninguém jamais havia servido no altar, pois é bem conhecido que o nosso Senhor descende de Judá, tribo da qual a Lei de Moisés nada fala sobre sacerdócio. O que acabamos de dizer fica ainda mais claro quando aparece um outro sacerdote semelhante a Melquisedeque, alguém que se tornou sacerdote não por regras relativas à linhagem, mas segundo o poder de uma vida indestrutível. (Hb 7:11-16)
A ordenança anterior é revogada, porque era fraca e inútil – pois a Lei não havia aperfeiçoado coisa alguma – sendo introduzida uma esperança superior, pela qual nos aproximamos de Deus. Jesus tornou-se, por isso mesmo, a garantia de uma aliança superior. (Hb 7:18, 22)
Foi inaugurado um novo pacto. As leis do Senhor passam a ser escritas em tábuas de carne em nossos corações, e não mais em tábuas de pedra.
• Antes, um dia da semana era do Senhor. Agora, todos os sete dias são dEle.
• Antes, o Senhor tinha “direito” a 10% de tudo, e só. Agora, 100% é dEle (mesmo a quantia que não entregamos para a obra é dEle).
• Antes, era necessário o sacrifício de animais pelos pecados. Agora, o sacrifício de Jesus cobre todos os pecados.
• Antes, era preciso que os sacerdotes conduzissem o povo até Deus, representassem o povo diante de Deus. Hoje, todos os cristãos têm este acesso, e não precisam mais de mediadores humanos!
Graças ao Senhor por esta esperança superior nos foi dada. É por meio da graça (o novo pacto) que podemos, individualmente, nos aproximarmos de Deus, sem mais necessidade de outro mediador além de Jesus Cristo.
Visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive para sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus. Ao contrário dos outros sumos sacerdotes, ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia (...). Ele o fez de uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu. (Hb 7:24-27)
O ministério que Jesus recebeu é superior ao deles, assim como também a aliança da qual ele é mediador é superior à antiga, sendo baseada em promessas superiores. Pois, se aquela primeira aliança fosse perfeita, não seria necessário procurar lugar para outra aliança. (Hb 8:6-7)
Mais uma vez, o autor de Hebreus nos mostra que Jesus foi designado como sumo sacerdote eterno. Mais uma vez é mencionada a possibilidade de cada um se aproximar de Deus, sem intermediários. Deus por sua infinita misericórdia estabeleceu um meio para que os homens pudessem chegar até Ele. O caminho está estabelecido, e a qualquer momento, podemos entrar em sua presença.
“Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias”, diz o Senhor. “Porei minhas leis em sua mente e as escreverei em seu coração. Serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará o seu próximo, nem o seu irmão, dizendo: ‘Conheça o Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior. Porque eu lhes perdoarei a maldade e não mais me lembrarei dos seus pecados” (Hb 8:10-12)
Temos as leis do Senhor escritas em nossos corações. O Senhor permitiu que todos pudéssemos simplesmente ir e conhecê-lo!
Neste momento talvez alguns estejam pensando: o que isto tem a ver com o “grupo de louvor”?
Se examinarmos todas as regras sacerdotais da Lei de Moisés e catalogarmos todos os atos ali especificados, veremos que poderíamos resumir as funções sacerdotais em duas palavras: ADORAÇÃO e INTERCESSÃO. Ora, se hoje todos os cristãos necessariamente são sacerdotes, isto significa que todos são responsáveis por adorar e por interceder. Sabemos que existem dons e talentos específicos que o Senhor dá, porém, como cristãos, nossa “função sacerdotal” deve incluir momentos de adoração e intercessão.
Adoração não se resume à música, nem tampouco ao momento de cânticos congregacionais. Podemos adorar com várias outras artes, em um momento de contemplação e de tantas outras formas. Não podemos depender de instrumentos, vozes belas e outras coisas, que são apenas ferramentas.
Em suma, nós, como integrantes de um ministério de louvor, precisamos entender que somos tão sacerdotes quanto o irmão que está sentado na nossa frente na hora do culto. Não estamos em um patamar superior. Não podemos nos arrogar como “levitas” (a menos que algum de nós seja judeu da linhagem de Levi). Não existe nada que nos torne diferentes, especiais ou mais santos.
Diante de tudo isto, gostaria de deixar algumas sugestões práticas (falando agora especificamente de um grupo de louvor que dirige a adoração congregacional com cânticos em um culto publico):
• Ensaie. Prepare-se. Seja fiel mordomo dos talentos que o Senhor lhe deu. Saiba do seu potencial em Deus, e conheça suas limitações.
• Evite qualquer coisa que tire a atenção do Senhor ou que cause desconforto aos demais (ex.: roupas indecorosas, som excessivamente alto, falar demais na ministração, “caras e bocas” se alguém errar alguma coisa na hora, etc).
• Não espere uma “resposta” da congregação, e não se frustre se a congregação permanecer totalmente apática. Lembre-se, você está exercendo o seu sacerdócio e se algum irmão não estiver adorando não é porque tem algo errado com você – é porque ele não está exercendo o sacerdócio dele. Portanto, não carregue um fardo que não é seu. Simplesmente adore.
• Não aja como animador de palco (creia-me, não fomos chamados para tal). Não manipule a congregação. Deus se agrada quando seus filhos o adoram com liberdade. Existem gestos de adoração que podem ocorrer (palmas, saudações ao irmão, danças, sinais de rendição, etc), mas todos estes gestos cativam muito mais o coração de Deus quando são espontâneos, e não porque você pediu para a congregação fazer. Quanto mais um líder condiciona as pessoas a fazerem algo, mais as pessoas perdem a liberdade de fazer sem que alguém as condicione.
• Esteja aberto e sensível ao Espírito Santo. Programe-se sim, mas sem se prender a receitas pré-programadas. Não há mal algum em cantar uma música a menos do que estava previsto, cantar de novo a mesma música do domingo anterior ou repetir 5 vezes o refrão que era pra ser só 2 vezes (apenas exemplos), se isto for direção do Senhor.
• Esteja submisso ao pastor. Pode acontecer dele pedir uma música diferente, ou de interromper o momento de cânticos bem na hora da música nova que você ensaiou.
• Não espere sentir a presença de Deus em todas as ministrações. Algumas vezes Sua presença será quase palpável. Em outras vezes, lhe bastará a certeza de que Ele está ali. Mesmo que você esteja sentindo uma visitação especial do Senhor, não se assuste se outros não estiverem sentindo. Quando você menos esperar, alguém vai “cortar o clima da adoração” pra avisar que na próxima terça-feira a tarde haverá um workshop sobre ponto-cruz para as mulheres da igreja.
• Não permita que o ministério se torne um fardo. Caso esteja se tornando, pare e avalie o porquê. Sobrecarga? Falta de alegria? Dúvidas quanto ao chamado? Busque direção de Deus e permita-se ser tratado pelo Senhor.
Algumas sugestões foram colocadas através de situações hipotéticas e talvez engraçadas apenas para auxiliar na fixação dos conceitos. Existiriam muitas outras coisas que poderíamos falar sobre adoração e louvor, mas creio que um dos pontos centrais e mais negligenciados hoje em dia é a questão do sacerdócio.
Se compreendermos que todos os remidos pelo Senhor tornaram-se sacerdotes (e todas as implicações desta verdade), entenderemos um pouco mais sobre nosso chamado e nosso ministério será mais frutífero.
Que Deus nos abençoe,
abração
Helder Assis
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